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Ah...
como penso em você!
Difícil te tirar da cabeça.
Como numa viagem astral,
me faço voar.
Voei, voei, até te encontrar.
Te encontrei deitada de olhos fechados
como que sonhando.
Não
dormia. Em que pensava? Não sei.
Camisola leve e quase transparente
delineava teu corpo, que meus olhos percorriam
lenta e vagarosamente.
Me ative
no teu rosto, na tua boca entreaberta.
Que vontade louca de te beijar!
Mordi meus lábios, como que pra segurar
o impulso irresistível de um beijo.
Queria tocá-la.
Sentir o calor da tua pele.
Sabe Deus, como contive
minhas mãos ansiosas em te acarinhar.
Só meus olhos, incontroláveis te abraçavam inteira.
Mesmo que os fechasse, eu te via.
Sentia teu cheiro, tão perto de mim.
Aproximei
meu rosto do teu.
Sentia a respiração, não suave,
de quem não dormia, mas sim devaneava.
Expressão sensual, desejável.
Ah! Como queria fosse eu estar naquele pensamento,
naquele devaneio, naquele sonho acordado.
Desci meus
olhos para teus seios
que arfavam incontidos sobre tuas vestes.
Vontade de tocá-los,
encostar meu rosto no seu peito,
sentir teu corpo moreno.
Suas mãos
tocavam suavemente o travesseiro
como se estivessem acariciando alguém.
Sua língua molhava os lábios,
secos pela respiração ofegante.
Cheguei
minha boca bem perto,
senti teu hálito de fera no cio que me enlouqueceu,
me levando em arrepios por todo o corpo.
Que vontade de te tocar! Te ter em minhas mãos!
Sentir tua pele no toque suave dos meus dedos.
Toquei teus cabelos,
cheguei bem perto pra sentir o perfume.
Como se sentindo minha presença você se movimentou.
Olhos ainda fechados.
Linda boca que pedia pra ser beijada.
Meu coração batia forte. Incontrolável.
Me afastei. Não queria te tirar daquele êxtase.
Mas queria participar dele. Ah! Como queria!
Segurei minhas mãos pra não te tocar,
o que mais queria,
Cheguei meus lábios junto ao seu ouvido.
Bem perto. O cheiro da tua pele me inebriava.
Mal conseguia manter minha respiração.
Sussurrei no teu ouvido: "Vem pra mim. Te quero"!
Como num susto,
você arregalou os olhos e quase ia gritar.
Só não o fez porque meus lábios tomaram os seus,
num beijo agraciado pelos deuses.
Você sentiu, e reconheceu,
o gosto do meu beijo, e se entregou,
como fosse a continuidade do seu devaneio.
Teus braços calidamente me abraçaram.
Nossas bocas juntas, quentes. Eu não acreditava.
Meu coração parecia querer explodir.
Meus dedos se embrenharam por teus cabelos,
apertando sua cabeça
num longo e apaixonado beijo.
Enfim, sentia teu gosto. Boca que me extasiava.
Soltei-me da tua boca, como em desespero.
Nossa respiração estava como se...
estivéssemos vindo,
das profundezas de um mar de água,
na ânsia de o ar buscar.
Mas, somente tempo suficiente para recuperar esse ar,
ouvir nossos gemidos de desejo,
desespero e loucura, e voltar a outro beijo
que me levava até não sei onde.
Só sabia que estava com você.
E isso era o que importava.
E, no meu devaneio,
fui adormecendo, me entregando ao sonho real
de te ter nos meus braços.
E poder possuir teu corpo amado
com meus cinco sentidos.
6 de
Janeiro de 2006 |